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Tuca Vieira e o Exercício do Percurso

Paula Janovitch é mestre em Antropologia e doutora em História. Foi pesquisadora do Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo. Participa do coletivo Escutando a Cidade, do PISA: pesquisa + cidade e é autora do blog Versão Paulo
https://versaopaulo.wordpress.com/
Publicado em 08.08.2019, às 5:44 pm

Tuca Vieira é um fotógrafo com formação em letras que acaba de defender sua dissertação de mestrado na FAU/USP. Foi fotojornalista por muitos anos e em seus trabalhos pessoais   sempre  coloca desafios fotográficos que nada mais são do que experiências e exercícios de se aprofundar na essência das cidades, da sua expansão, de suas escalas e diversidade.

Em sua palestra na Escola da Cidade no final de maio,  havia acabado de voltar de uma jornada pelo Extremo Oriente em que a regra foi fotografar cidades com mais de 10 milhões de habitantes. Em cada cidade o fotógrafo permaneceu 7 dias. O mesmo tempo que o Deus teve para fazer o mundo. Pois foi mais ou menos como Tuca descreveu sua chegada nas cidades até o momento dos registros fotográficos: “fui sistemático nisso, no primeiro dia  fazia a parte burocrática de escolher hotel, trocar dinheiro e ai levava uns 3 dias percorrendo a cidade sem fotografar absolutamente nada. Primeiro percorria o quarteirão do hotel, depois o centro da cidade e ai começava  a me aventurar pelas  bordas e periferias desta área mais central, os  locais que mais me interessam.”

Estas franjas da cidade, onde o seu  cartão postal desaparece, é o ponto de inflexão do fotógrafo. Porém, diferente de  São Paulo, que Tuca poderia se deslocar com muito mais facilidade como podemos ver em  “Atlas da cidade”, nas hipercidades do Oriente este “desfoque ” em direção às margens deve ter provocado mais  estranhamentos ainda, afinal era um estrangeiro em todas as cidades que percorreu  com uma semana para chegar no lugar onde a fachada oficial da cidade, o centro,  dá lugar à essência. Como disse o fotógrafo, a máquina fotográfica é mero veículo para satisfazer minha curiosidade e desejo de  aventurar-me e descobrir a essência das cidades. O que vale nisso tudo é a busca para chegar naquilo que não é mais o monumental.  Este percurso que nos retira do centro  “vale ouro” e não podemos despreza-lo.

Perguntado sobre como são  as  hipercidades do Oriente, Tuca afirmou, são assustadoras em escala. De fato, as fotografias de Tuca mostram isso, uma China construindo e destruindo  cidades e mais cidades, prédios altíssimos, mesmo que estes não estejam habitados ainda, não importa, a indústria da construção permanece em moto-contínuo.  Jacarta é  latino-americana,  Tokyo uma hipercidade moderna.

Nestes 6 meses se deslocando pelas cidades do seu Extremo Oriente,  Tuca sentiu que tocou o século 21 e que sem  dúvida o futuro  é bem diferente das antigas cidades européias onde repousa nosso nostálgico bem-estar. 

Para saber mais sobre essa jornada, Vieira escreveu artigos na Folha de São Paulo ao longo de sua jornada.

Paula Janovitch é antropóloga e historiadora. Colaboradora do coletivo PISA: pesquisa + cidade, e do Escutando a cidade. Faz percursos históricos por São Paulo e é um dos autores do livro  “Dez roteiros históricos por São Paulo: o segredo das passagens: galerias comerciais do centro de São Paulo, Narrativa Um.” Edita o blog Versão Paulo sobre cultura urbana. 

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