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Espaços Públicos

Paulistanos: workaholics ou bem-humorados?

Dado Galdieri / @dadogaldierihilaea
São Paulo ao amanhecer
Mariana Barros é cofundadora do Esquina / mariana@esquina.net.br
Publicado em 25.01.2019, às 7:30 am

A chegada de mais um aniversário costuma nos fazer pensar em como levamos a vida. A chegada do aniversário de São Paulo, que hoje completa 465 anos, não foge à regra. Afinal, como estamos vivendo por aqui?

A cidade que ganhou fama por só pensar em trabalhar ganhou novas tonalidades. É hoje o lugar de quem valoriza caminhar, pedalar, passear, conviver e vivenciar espaços públicos. Se nos anos 1980 e 1990, o ideal de lazer paulistano era ir ao shopping de carro, hoje os centros de compras buscam alternativas para as vagas de estacionamento ociosas, enquanto as ruas se enchem do que temos de melhor: as pessoas.

Ciclovias, bicicletas compartilhadas, motoristas de aplicativo e agora patinetes mudaram a maneira como organizamos nossa rotina, que hoje pode ser mais prática, prazeirosa e saudável. O gosto pela corrida e o crossfit levaram milhares a se exercitar nas ruas, aproveitando canteiros de avenidas e escadarias para seu parkour particular. Nos finais de semana e feriados, vias de tráfego intenso viram local de passeio para adultos, idosos, crianças e pets. E há ainda o poderoso impacto da tecnologia, fundamental para impulsionar tudo isso, ao tornar relativa a necessidade de estar no escritório quando é possível levá-lo no bolso.

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico, divulgado no ano passado, listou os países com maior número de horas trabalhadas. No topo do ranking, ficaram os mexicanos, com média de 43 horas de trabalho por semana. Muitos paulistanos batem essa número, o que fica especialmente fácil quando é possível estar conectado o tempo todo.

Talvez os paulistanos ainda possam ser considerados workaholics na comparação com a média de outras cidades brasileiras. Talvez. Mas a verdade é que, aos olhos do mundo, cada vez mais somos vistos como quem trabalha duro, mas sabe curtir a vida e aproveitar cada pequeno intervalo entre uma tarefa e outra. Aos 465, São Paulo mostra que é possível ser eficiente e produtiva sem ser mal humorada. Isso é envelhecer bem.

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