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Mobilidade

Apps querem encurtar as viagens oferecendo mais compartilhamento

Daniel Teixeira / Estadão
Motorista de serviço por aplicativo percorre trajeto pela Avenida do Estado. Modalidade já impacta em estudos sobre o trânsito

Publicado em 12.12.2018, às 8:21 am

Dados preliminares da pesquisa Origem Destino que será divulgada hoje apontam que, em dez anos, houve uma redução de 16% no tempo de deslocamento na região metropolitana. Uma das grandes mudanças ocorridas no período foi a entrada dos aplicativos que acionam motoristas e permitem compartilhar o mesmo carro entre vários usuários.

Para medir o impacto que a modalidade trouxe e ainda pode trazer, a 99 solicitou à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) um estudo com base em dados reais das viagens realizadas pelo aplicativo. É a primeira vez no mundo que um estudo assim é feito com esta base de dados. Os resultados mostram que, com mais viagens compartilhadas, é possível reduzir o tempo médio de deslocamento na região metropolitana. Dados e projeções foram apresentados em um encontro do Esquina que teve entre os debatedores o economista Eduardo Haddad, da Fipe, coordenador do estudo, Miguel Jacob, responsável pela área de pesquisa da 99, Ana Guerrini, responsável pela área de Políticas Públicas e Relações Governamentais da 99, e Claudia Viegas, diretora da LCA Consultores e especialista em regulação.

💥 AO VIVO 💥 Estamos discutindo o impacto dos aplicativos na cidade!A 99 divulga um estudo inédito realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) sobre os impactos socioeconômicos do serviço na cidade de São Paulo. Participam:- Ana Guerrini, head of Public Policy 99- Miguel Stevanato Jacob, research & policy 99- Eduardo Haddad, Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), phD em Economia com pós-doutorado nas Universidades Princeton e Rutgers- Claudia Viegas, diretora de Regulação Econômica na LCA ConsultoresConfira o estudo completo: https://drive.google.com/…/1rO2cO0ZLNjoEiniXLTOZoF…/view

Publicado por Esquina: Conversas sobre cidades em Segunda, 10 de dezembro de 2018

 

No encontro, Ana Guerrini afirmou que a coleta e a análise de dados é uma etapa obrigatória para qualquer mudança na cidade. “Não podemos nos relacionar com o governo sem bases para construir políticas e regulamentações que façam sentido para todo mundo”. O estudo foi iniciado ano passado com a intenção de promover uma maior discussão sobre os aplicativos e gerar provocações na área. “Fizemos cenários com carros, mas por que não fazer com outros veículos?”, questiona. Segundo ela, os resultados são positivos e, ainda que pareçam tímidos, já são de grande relevância para um mercado consideravelmente pequeno como o dos aplicativos.

Para Eduardo Haddad, economista da Fipe e coordenador da pesquisa, o desafio maior foi introduzir um modelo de mobilidade que até então não existia nos bancos de dados, a das plataformas digitais. Com o objetivo de quantificar os impactos econômicos e sociais das atividades da 99, o estudo considerou critérios como mobilidade e acessibilidade. “Um é a capacidade de se deslocar no espaço, o outro diz respeito às oportunidades de interação ocasionadas durante esse deslocamento. Uma coisa não garante a outra”, afirma. Segundo as informações coletadas, a concentração de empregos na região central de São Paulo dificulta o acesso ao trabalho para os moradores de regiões periféricas, além de gerar fluxos pendulares diários que atrapalham o trânsito e a produtividade. “Se você tem um sistema de transporte pouco eficiente, é como se estivéssemos afastando as pessoas do emprego”, afirma.

Levando em consideração tais fatores, a pesquisa desenvolveu o Índice de Democratização de Acessibilidade para mensurar como os trajetos realizados com a 99 afetam quesitos como tempo de deslocamento, acesso à oportunidades e renda. A pesquisa apontou uma melhoria de 0,01% nos salários e de 0,013% no PIB da região metropolitana, uma vez que o serviço aumentou o acesso e a oferta de empregos. A procura por estacionamentos também teve um saldo positivo, diminuindo em 3,3%. Os economistas concluíram, porém, que o aumento de clientes implicaria em uma maior frota de carros nas ruas e viagens mais longas, problema que seria significativamente resolvido com o compartilhamento. Enquanto os passageiros atuais da 99 têm uma economia de 0,02% na duração dos trajetos, o valor chegaria a 5% se um décimo das viagens fossem divididas. Os números parecem pequenos, mas aumentam consideravelmente à medida em que se popularizam as viagens partilhadas. “É um cenário radical, mas todos os efeitos positivos são potencializados”, afirma Eduardo.

“A lógica do transporte público como sendo compartilhado e o do privado como sendo individual foi embaralhado pelos aplicativos”, diz Miguel Stevanato Jacob. Segundo o pesquisador da 99, as plataformas digitais ampliaram os serviços de mobilidade, e hoje pessoas que não possuem carros ou bicicletas podem utilizar os modais sem precisar mais tê-los. Tal mudança tem aumentado a flexibilidade no trânsito e incentivado o uso de opções coletivas e ativas. “Em São Paulo, de 10 a 15% das viagens da 99 são feitas como complementos ao metrô e corredores de ônibus”, explica. Jacob aponta ainda que as viagens por aplicativo não pretendem substituir o transporte público, mas sim otimizar a mobilidade urbana ao integrar diferentes sistemas e aproveitar as viagens que cada um oferece.

Claudia Viegas, diretora de Regulação Econômica na LCA Consultores, afirmou que o trânsito nas cidades brasileiras precisa ser otimizado com o aumento da produtividade. De acordo com ela, se os 82 minutos médios perdidos diariamente no trânsito pela população fossem convertidos em horas de trabalho, o PIB teria um acréscimo de 300 bilhões por ano. “Temos que fazer mais com menos, e de maneira diferente. Se precisamos ganhar eficiência, falar como conseguir isso é crucial”, diz. Nesse sentido, a profissional acredita na importância de novos dados e debates para incentivar políticas construídas com parcerias entre iniciativas públicas e privadas. Claudia aponta ainda para a necessidade de regulamentação de serviços como o de aplicativos, que devem levar em conta a segurança dos clientes, tributos e relações trabalhistas. “É preciso ter um ambiente regulatório ágil para acomodar inovações, gerando condições competitivas para que esses efeitos sejam sentidos de maneira duradoura”, conclui.

 

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