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Arte e cultura

Bertolucci foi ambivalente ao revelar e omitir Paris

Reprodução
Brando e Maria Schneider caminham sob a Pont Dir Hakeim no filme O Último Tango em Paris
Mariana Barros é cofundadora do Esquina
Publicado em 26.11.2018, às 10:33 am

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, morto hoje aos 77 anos, certamente será lembrado pelo imaginário que ajudou a construir sobre Paris no cinema. Sua obra mais famosa, O Último Tango em Paris, traz no título o próprio nome da capital francesa, cenário do turbulenta relação vivida entre os personagens Paul (Marlon Brando) e Jeane (Maria Schneider).

O filme constrói uma interessante ambivalência com a cidade. Ora utiliza locações externas facilmente reconhecíveis, ora faz questão de omitir pontos importantes e utilizar ruas com nomes fictícios.

Veja o caso da Pont de Bir-Hakhen, onde Brando caminha na cena de abertura do filme. É uma ponte de 237 metros de comprimento toda feita em aço e que atravessa o rio Sena. Na parte de cima, trafegam trens do metrô e, na debaixo, carros e pedestres. Bertolucci dá grande destaque para a ponte, que reaparece em outro momentos do longa, mas deliberadamente opta por deixar fora do quadro a Torre Eiffel, localizada a poucos metros de distância e que facilmente poderia entrar se a câmera fosse posicionada um pouco mais à esquerda.

O apartamento onde acontecem os encontros entre os protagonistas fica na Rue Jules Verne — nome criado para esconder o real endereço do edifício, situado na Rue de l’Alboni.

É curioso notar ainda que, embora o filme leve Paris em seu nome, as cenas mais marcantes acontecem entre quatro paredes. O apartamento parece desconectar-se do restante da cidade à medida em que os protagonistas dão vazão às suas tormentas psicológicas. Uma visão bastante particular do cineasta italiano sobre a celebrada capital do romantismo e do amor.

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