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Espaços Públicos

Uso de áreas sob viadutos depende de fazer pedestre se sentir bem-vindo

VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO
Viaduto da Lapa, ao lado do Rua Aristides Viadana, Zona Oeste de SP
Mariana Barros é cofundadora do Esquina
Publicado em 13.11.2018, às 8:05 am

Os paulistanos nunca estiveram tão dispostos a fazer uso de qualquer espaço existente. Às vezes de maneira planejada, outras de improviso, há uma profusão de locais e debates sobre a ocupação de lugares pelas pessoas. A Avenida Paulista aos domingos, as ciclofaixas nos finais de semana, o Parque Minhocão dando novo sentido ao Elevado João Goulart, o Parque Augusta, o carnaval de rua entupindo a 23 de Maio e o Largo da Batata.

A gestão Bruno Covas (PSDB) tem se mostrada atenta à questão, com iniciativas que buscam valorizar quem está a pé. Em setembro, lançou a plataforma digital Vida Segura, que mapeia acidentes de trânsito e o perfil das vítimas. No mês passado, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aumentou o tempo de travessia para pedestres em 12 vias. E uma comissão de técnicos de várias secretarias e do Estado se dedica a pensar em como melhorar as calçadas.

O projeto que propõe usar a área sob os viadutos para atividades culturais, esportivas e comerciais segue a mesma linha. Como essas estruturas foram construídas para serem usadas por motoristas, e não por quem caminha, a parte mais ventilada e iluminada continuará destinada aos veículos.

Mas a iniciativa deve ser valorizada por estimular que carros e pessoas convivam e usufruam das mesmas estruturas. Para isso dar certo, porém, é preciso garantir que as pessoas chegarão a estes locais em conforto e segurança, sem precisar correr nem se arriscar para atravessar, sem sentir medo pela falta de iluminação, sem percorrer calçadas estreitas e ruins nem passarelas com lances de rampas e escadas.

Em outras palavras, é preciso fazer com que o pedestre que passa por ali se sinta tão respeitado quanto quem trafega dentro dos veículos. E, se possível, tão bem-vindo quanto as pessoas que caminham, pedalam, cantam e dançam em avenidas e viadutos da cidade nos finais de semana e feriados.

Mariana Barros é cofundadora do Esquina.net.br

 

Texto publicado originalmente na edição de 13 de novembro de 2018 de O Estado de S. Paulo

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