*

Mobilidade 07.11.2018 — 2:30 pm

Logística gera novos negócios e reduz a necessidade de deslocamentos

Peter Bond / Unsplash
Produtos armazenados em prateleiras

O deslocamento nas grandes cidades é sempre lembrado como um desafio para as pessoas, mas pouco é dito sobre tudo o que elas produzem e consomem. A evolução da tecnologia popularizou aplicativos e e-commerces, mudando nossa relação com mercadorias e serviços. E, quando produtos se deslocam de forma mais eficiente pela cidade, as pessoas ganham a chance de economizar alguns trajetos, o que contribui muito para a mobilidade urbana. A logística é justamente a parte da mobilidade que a gente não vê, mas que nos impacta cada vez mais. Para falar sobre o que significa A Nova Logística, o Esquina convidou três nomes com diferentes experiências no assunto para um encontro no Centro Ruth Cardoso. Assista na íntegra no vídeo abaixo e leia aqui os principais pontos discutidos.

Paulo Fernandes Oliveira, pesquisador da FGV e sócio da Scambo Consultoria, afirmou que a logística de mercadorias só será positiva quando pensada coletivamente, considerando contribuições de órgãos públicos, universidades e empresas privadas: “Precisamos juntar conhecimentos, entidades e expertises diferentes. Aí, sim, conseguiremos resolver os problemas, que são muito complexos.”

A Nova Logística

AO VIVO! Como cidades e pessoas têm sido impactadas pela nova logística? Acompanhem o bate-papo diretamente do Centro Ruth Cardoso com Paulo Fernandes Oliveira, pesquisador da FGV e sócio da Scambo Consultoria, Thiago Cordeiro, CEO GoodStorage, e Vinicius Pessin, co-fundador da Eu Entrego

Publicado por Esquina: Conversas sobre cidades em Terça-feira, 6 de novembro de 2018

 

Segundo Oliveira, por mais que esteja presente no cotidiano de todos, o transporte de cargas ainda é entendido como um problema privado. Ele diz que o tema deve ser analisado em conjunto com outras dimensões urbanas, como sustentabilidade, mobilidade e tecnologia. “Um especialista em logística não irá resolver o problema, porque a quantidade de variáveis está cada vez maior”. Exigindo prazos rápidos a preços baixos, a logística do futuro terá como desafio abastecer a cidade sem deixar de considerar as exigências e soluções de seus mais diferentes setores. O pesquisador já aponta no modelo colaborativo um possível caminho: “É preciso somar: somar eventos, trabalhos, artigos, pesquisas e discussões”.

Para Thiago Cordeiro, CEO da empresa de armazenamento GoodStorage, a demanda por transporte de produtos mais ágil e eficiente está relacionado com os avanços da tecnologia. Se antes a rede logística era composta por pontos físicos, hoje ela cresce com a multiplicidade de plataformas como telefones, celulares e computadores, fator que aumentou a complexidade dos envios e sua relevância dentro de uma empresa.

A GoodStorage, apoiadora da programação do Esquina, tem entre seus clientes aplicativos de entrega e empreendedores do e-commerce, servindo como um hub de distribuição, capaz de encurtar distâncias e facilitar o dia a dia dos negócios. Se antes os galpões se localizavam em imóveis periféricos e distantes dos grandes centros, hoje a tendência é que ocupem endereços próximos ao consumidor e bem distribuídos pela malha urbana. O aluguel de espaços temporários e flexíveis para armazenagem, como é o caso da GoodStorage, tem se tornando uma estratégia cada vez mais popular. “Apresentamos soluções dentro das cidades, em bairros estratégicos e com áreas determinadas de acordo com a necessidade”, afirma Cordeiro.

Para ele, a proximidade com os clientes faz com que o transporte dos produtos se torne mais rápido, garantindo um giro maior de estoque e diminuindo a área necessária para depósito. Ainda que os endereços sejam em regiões da cidade mais valorizadas e custosas, Cordeiro garante que o saldo da conta é positivo tanto para empresas, que economizam em espaço e deslocamento, quanto para consumidores, que veem os preços de entrega diminuir. “Os serviços chegam até você, e não o contrário. Temos que trazer a carga para perto, e não mais entendê-la como um problema que acontece da meia noite às cinco da manhã”, conclui.

A tecnologia foi o caminho encontrado pela Eu Entrego para justamente aproximar pessoas e mercadorias, como bem explicou o co-fundador da empresa Vinicius Pessin. Seguindo os passos da economia colaborativa, a iniciativa foi a primeira no país a disponibilizar serviços de crowdshipping, onde não profissionais do transporte podem realizar entregas de mercadorias através de um aplicativo de celular. “Conectamos pessoas comuns que se dispõem a fazer entregas de maneira autônoma, preferencialmente com modais alternativos e dentro de seus caminhos habituais”, explica.

O modelo de negócio promete ser uma alternativa tanto para a mobilidade nas cidades, reduzindo o número de caminhões, quanto para o bolso dos clientes, com viagens sem os custos fixos de uma empresa tradicional. A agilidade dos serviços foi outro ponto levantado por Vinicius, que vê na flexibilidade de horários e trajetos dos entregadores uma forma de facilitar o transporte pela cidade.

A ideia já foi posta em prática em países como Estados Unidos, com gigantes como a Amazon aderindo ao crowdshipping, e China, que hoje conta com mais de 23 milhões de entregadores informais cadastrados. No Brasil, a iniciativa está gerando desafios e transformações para a mobilidade: “a inovação veio antes da lei”, afirma. A novidade tem provocado revisões na legislação, que ainda não permite que pessoas físicas realizem entregas em carros particulares. Em inegável mudança, Vinicius reconhece a influência da logística nos negócios e na infraestrutura das cidades. “O modelo tradicional não funciona mais. Que outros regimes podemos criar?”.

Tags:, , , , , , , , ,

Bitnami