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Meio ambiente 30.10.2018 — 9:17 am

Humanos extinguiram 60% das espécies– e agora correm risco

Daniel Beltra/Greenpeace
Vista aérea de fazenda no Mato Grosso

Um levantamento da ONG  de preservação ambiental WWF mostra que, apenas nos últimos 50 anos os seres humanos exterminaram 60% das espécies de animais vertebrados, incluindo mamíferos, aves, répteis, peixes e anfíbios. Na América do Sul, o índice é de 89%, o maior entre todos os continentes, com florestas tropicais e cerrado entre os principais focos. Para cientistas, é o início da sexta onda de extinção em massa do planeta e a primeira causada por uma única espécie, o homo sapiens, que representa apenas 0,01% dos seres vivos existentes. O paradoxo é que os próprios humanos podem ser exterminados pela onda de matança que desencadearam.

O motivo de tanta destruição tem a ver com o estilo de vida que adotamos, baseado no consumo, e que se intensificou dos anos 1970 para cá. De um lado, houve um aumento exponencial da produção de alimentos, com a capacidade de consumo superando a de produção. De outro, o uso de materiais e fontes energéticas destrutivas, baseadas em extração mineral e produção de combustíveis fósseis. Pesca e caça predatórias e a propagação de espécies invasivas, como pragas, também contribuíram. O resultado são enormes áreas desmatadas, com ar e água poluídos, e que agora ameaçam as cadeias alimentares inteiras, colocando a própria civilização em risco.

Em poucas décadas, exterminamos o que a natureza levou bilhões de anos criando. Seriam necessários outros 6 milhões de anos para que a natureza conseguisse se recuperar sozinha do estrago.

O atual modelo foi capaz de proporcionar alguma qualidade de vida para os humanos por um curto período, mesmo que distribuída de maneira bastante desigual. No médio e longo prazos, porém, o que vemos é uma série de desastres naturais como erosão do solo, escassez de água e mudanças climáticas. Por isso, criar cidades baseadas em energia limpa e cada vez mais concentradas em vez de espraiadas são fatores determinantes para a própria sobrevivência humana.

O estudo The Living Planet Index, do WWF e da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês), é um monitoramento das espécies que habitam o planeta realizado desde 1998. A versão 2018, feita por uma equipe de 59 cientistas de várias partes do mundo, pode ser acessada neste link.

 

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