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Mercado 17.10.2018 — 8:55 am

Na China, donos de imóveis protestam contra a queda de preços

China Photo / Reprodução
Protesto em Xangai, na China, contra a queda de preço de imóveis no país

Nem a censura do governo chinês conseguiu esconder a insatisfação de centenas de donos de imóveis do país com a queda de preço de suas propriedades.

Dados do Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS) indicam que o valor de novas casas nas 70 principais cidades aumentou 1,4% em agosto, superando o já impressionante aumento de 1,1% registrado em julho. A sequência aponta para uma valorização de 7% em um ano.

Mas, em vez de estarem nadando em dinheiro, os proprietários têm saído às ruas para reclamar da baixa que seus imóveis vêm sofrendo. Isso porque, enquanto o governo alimenta mecanismos artificiais que restringem compra e venda em graus variados, incorporadoras aproveitam para liquidar seus estoques colocando os preços lá embaixo. Uma delas chegou a dar descontos de 25% em imóveis novos, forçando uma queda na avaliação das propriedades de toda a vizinhança. Em outro caso, uma imobiliária baixou preços em até 20%. Há ainda ofertas que incluem carro como brinde. Os casos foram apresentados em reportagens do Financial Times e da Reuters, que informam que reclamações de proprietários e registros das manifestações foram apagados de sites e redes sociais pelos censores do governo chinês.

Neste panorama, quem comprou imóveis durante o pico de preços de 2017 se sente lesado e sem perspectivas de recuperar o que foi investido. Situação semelhante já havia ocorrido em 2014, quando também foram registradas quedas nos preços.

Para especialistas, esses eventos indicam o início de uma onda de retração do mercado imobiliário e uma nova recessão no país. Sem novas demandas por imóveis, tudo tende a caminhar bem mais lentamente do que tentam mostrar o números oficiais.

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