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Tecnologia 27.09.2018 — 7:59 am

O dia em que testei a versão motorista do Waze Carpool

AMANDA PEROBELLI/ ESTADAO
Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo
Diogo Schelp é jornalista e um entusiasta das bicicletas compartilhadas. Foi repórter da revista Quatro Rodas e editor executivo de Veja.

“Não pegue carona com estranhos”, já diziam nossos pais. Pois o Google quer que façamos exatamente isso. No último dia 22 de agosto, a empresa lançou em São Paulo um serviço que, pelo aplicativo Waze, permite que qualquer pessoa interessada em “rachar” o custo do combustível seja remunerada por passageiros que querem economizar com táxi, Uber, Cabify, 99 e equivalentes.

A pedido do Esquina, eu topei testar como o serviço funciona. Para oferecer carona, os motoristas podem usar a versão atualizada do mesmo Waze que já utilizam para encontrar o melhor caminho no caos do trânsito paulistano. Para pegar carona, é preciso baixar um aplicativo específico, o Waze Carpool.

Minha primeira dificuldade foi no cadastro do Google Pay, o sistema que permite receber o valor da corrida direto na conta bancária. Tentei com um iPhone, e não deu certo. Precisei recorrer a um celular com sistema Android. Dias depois, em uma nova tentativa, consegui completar o cadastro no iPhone.

Tela com comprovante da corrida feita com Waze Carpool

 

O teste foi feito numa quarta-feira, duas semanas depois do lançamento do serviço. Por ter sido tão recente, havia poucas opções de caronistas para as rotas oferecidas. Em média, para rotas mais longas aparecem entre seis e quinze caronistas interessados. Difícil é conseguir que alguém responda às ofertas de carona. A maioria dos usuários cadastrados, mesmo ao receber o alerta pelo celular de que uma carona foi oferecida, sequer entra no aplicativo para aceitar ou recusar a gentileza.

Finalmente, depois de alguns dias de tentativas, um jovem carioca que se mudou para São Paulo há poucos meses respondeu à oferta de carona.

O aplicativo funcionou muito bem. A carona foi iniciada na hora de saída indicada pelo Waze, que mostrou o caminho até o ponto de encontro com o caronista. Ele aguardava no lugar marcado e, depois de se apresentar rapidamente, embarcou. Ele foi deixado exatamente em frente ao prédio onde trabalha, o que deu 6 quilômetros de percurso “compartilhado”. O trajeto rendeu R$ 10, mas o caronista pagou apenas R$ 2. Isso porque, nesta fase de popularização do serviço, é o Google quem cobre a diferença.

Quem me explicou isso e outros detalhes foi o Douglas Tokuno, Head de Waze Carpool para o Brasil, que já havia conversado com o Esquina na ocasião do lançamento do serviço no Brasil. “Por tempo limitado, todas as pessoas que pegam carona no Carpool pagam apenas R$ 2 para qualquer trajeto. Os que dão carona irão receber R$ 4 para caronas com menos de 5 quilômetros e R$ 10 para trajetos de menos de 40 quilômetros pela cidade”, disse ele.


LEIA TAMBÉM:

– Waze lança em São Paulo serviço de carona Carpool

– Esquina Entrevista: Waze Carpool no Brasil

 

O serviço oferece um bom custo benefício, pelo menos na minha opinião e na do caronista. “Ainda que tivesse custado R$10 para mim, já sairia mais barato do que ir ao trabalho de Uber”, disse ele. Do lado de cá, os R$10 cobriram não apenas o custo com o combustível no percurso compartilhado, como o que gastei para ir de lá até meu destino final. O trânsito da cidade também agradece.

Questionado sobre o grau de adesão que o aplicativo está tendo, Tokuno desconversa. “Nós não divulgamos o número de caronas, porém podemos dizer que a adoção e crescimento no Brasil tem superado nossas expectativas.”

Segurança

O aplicativo oferece bons recursos para que motoristas e passageiros se sintam seguros. Entre eles, a verificação, feita pelo aplicativo, do número de telefone e do email profissional dos usuários. Mas ainda faltam alguns ajustes. O recurso que permite conferir o perfil de Facebook de motoristas ou caronistas antes de aceitar ou pedir uma corrida, por exemplo, não funciona por aqui. Douglas Tokuno explica: “Recentemente, o Facebook fez uma mudança nas regras de acesso ao perfil por questões de privacidade e é possível visualizar o perfil de amigos de amigos. Nosso time de produto em Israel está trabalhando com o Facebook para encontrarmos uma solução para que nossos usuários possam visualizar o perfil do seu companheiro de carona. Em breve teremos novidades.”

A possibilidade de stalkear (fuçar) o perfil de Facebook dos usuários dá mais segurança porque permite discernir oportunistas e mal-intencionados de pessoas realmente interessadas em dividir o mesmo carro no percurso casa-trabalho-casa. Mas, por enquanto, é preciso pesquisar sobre motoristas e caronistas fora do aplicativo Waze Carpool, com uma busca pelo nome completo (quando disponível) diretamente no Facebook. Perfis estranhos aparecem. Em uma das rotas, surgiu como possível caronista um homem que mora no Canadá e que, como ficava claro por suas postagens no Facebook, não estava no Brasil naquele momento (e provavelmente nunca esteve). Atualizando o conselho dos pais: “Não dê caronas a perfis estranhos.”

Diogo Schelp é jornalista e um entusiasta das bicicletas compartilhadas. Foi repórter da revista Quatro Rodas e editor executivo de Veja.

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