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Mobilidade 25.09.2018 — 5:28 pm

Mobilidade do futuro deve priorizar os elos mais fracos

Pedro Baumgratz, da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, Luciana Nicola, do Bike Itaú, e Haydée Svab, da Poli-Gen

A Nova Mobilidade

Debate sobre A Nova Mobilidade + Esquina no YouTube com Haydée Svab, da Poli-Gen e CEO da ASK-AR, Luciana Nicola, superintendente de relações institucionais Itaú e responsável pelo sistema de bikes compartilhadas Bike Itaú, e Pedro Baumgratz, da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, direto do Itaú Cultural no lançamento do canal do Esquina no YouTube 🙌😁💪

Publicado por Esquina: Conversas sobre cidades em Segunda, 24 de setembro de 2018

 

Comemorando o lançamento do nosso canal no YouTube, o Esquina reuniu no mês da mobilidade um time de profissionais da área para discutir sobre o que tem mudado no deslocamento urbano. O encontro mostrou que a mobilidade do futuro deve cada vez mais priorizar os elos mais fracos: quem está a pé e quem pedala, mulheres, crianças e idosos. Só assim as cidades se tornarão locais mais amigáveis para as pessoas em vez de cenário de ficção científica.

Mas para chegarmos até lá há uma série de desafios a serem vencidos e de possibilidades de caminhos capazes de tornar o espaço público mais democrático, acessível e seguro para todos. Confira o que os debatedores disseram:

Haydée Svab, co-fundadora do PoliGen – Grupo de Estudos de Gênero da Poli-USP e CEO da consultoria em análise de dados ASK-AR,  destacou a importância de políticas urbanas de mobilidade voltadas para os deslocamentos a pé, que atualmente representam mais de um terço das viagens realizadas na Região Metropolitana de São Paulo. Mulheres e crianças são os grupos sociais que mais caminham, tornando-se interlocutores fundamentais para se pensar projetos e metodologias mais inclusivos.

Segundo a pesquisadora, é necessário avaliar a mobilidade pela perspectiva de gênero: “Quando consideramos as mulheres como atores em pé de igualdade, geramos desenvolvimento também”. Dentre os eixos para o debate estão critérios como segurança física e psicológica, incluindo o assédio e a chamada “acessibilidade real”, que contempla a rede de transportes oferecida pela cidade para que seus moradores tenham acesso a oportunidades como escola e trabalho.

Para atender tantas necessidades, Haydée acredita ser preciso diversificar os atores responsáveis por planejar e decidir as políticas urbanas e incluir nas pesquisas dados referentes à classes, gêneros e raças, ainda pouco considerados no país. Ela também aposta no papel da experimentação: “Quando tivermos tolerância ao erro, teremos experimentação no setor público. Sem experimentação não há inovação”, completa.

Responsável pelo Bike Itaú, plataforma de mobilidade urbana do Itaú-Unibanco, Luciana Nicola também apontou a tomada de riscos como fundamental para aprimorar o serviço de bicicletas compartilhadas desenvolvido pelo banco. “Hoje temos uma tecnologia e um sistema que funciona muito melhor devido a todo o aprendizados que passamos”, afirma. O projeto, iniciado em 2010, surgiu como uma possibilidade de contribuir com o poder público para o desenvolvimento do modal de transporte e já foi instalado em seis cidades brasileiras.

A estratégia para consolidar a presença da bike no trânsito segue três pilares principais. O primeiro deles é a disponibilização das bicicletas, feito por meio do sistema de compartilhamento das “laranjinhas”, da compra online e de empréstimos temporários. Em segundo lugar está o desenvolvimento de estudos e coleta de dados, fundamentais para a implantação de iniciativas em parceria com o poder público: “Essas informações são necessárias para legitimar esses investimentos”, explica. O último pilar diz respeito à conscientização da população. Atualmente 50% das pessoas não têm a intenção de utilizar a bicicleta, cenário que mudaria com uma melhor infraestrutura e mais segurança. Para Luciana, o crescimento de usuários traria benefícios imediatos, como mais saúde, empreendedorismo e cidadania: “As pessoas que começam a usar acabam sendo ativistas da cidade”, diz.

Para Pedro Baumgratz, coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, a utilização de dados é fundamental para planejar políticas públicas de mobilidade mais seguras. Com índices que chegaram a 1,4 milhão de mortes no trânsito em 2016, a insegurança no trânsito é uma questão de saúde que está diretamente relacionada ao mal planejamento nas cidades.

Mais do que soluções mirabolantes, Pedro defende uma nova mobilidade focada em iniciativas objetivas e de solução fácil, baseadas em evidências: “Os instrumentos já estão em nossas mãos há muito tempo”, afirma. Para tanto, a coleta e organização dos dados é fundamental: plataformas digitais como o Portal Vida Segura, que mapeia acidentes e eventos ocorridos na malha viária de São Paulo, são uma relevante fonte de diagnósticos para localizar áreas problemáticas e com carência de infra-estruturas.

A tecnologia pode e deve ser uma ferramenta utilizada para promover um trânsito mais seguro e eficiente, como é o caso do cinto de segurança e dos parâmetros de segurança veicular. Estratégias de calibração, como regularizações e taxações, também são importantes medidas para beneficiar meios de transporte coletivos e mais sustentáveis. Entendida como política pública, a mobilidade baseada em evidências deve sempre favorecer o maior número de pessoas: “Quando é implementada, a conta social para todo mundo é melhor”, conclui.

O evento A Nova Mobilidade foi realizado no Itaú Cultural com o apoio do Itaú Unibanco.

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