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História e Patrimônio 11.09.2018 — 7:53 am

Modelo para o Brasil, Reino Unido usa loteria para financiar patrimônio

Alexandra Palace
O teatro vitoriano Alexandra Palace, de 1875, teve parte do restauro financiado pela loteria britânica

Buscar fontes de recursos para a preservação do patrimônio histórico nunca é tarefa fácil. Também é difícil que o poder público arque sozinho com estes custos — e isso não é exclusividade do Brasil. A dificuldade de obter receitas correntes foi um dos temas do primeiro dia do Seminário Internacional “Gestão Inovadora de Bairros Históricos – Fábrica de Restauro”, que termina hoje em São Paulo.

AO VIVO do @Seminario Internacional Gestão Inovadora de Bairros Históricos no Mackenzie 1870 com Henry Russell (Heritage Alliance Spatial Planning Advocacy Group do Reino Unido) e Michael Ball (School of Real Estate & Planing de Henley, também do Reino Unido) sobre financiamento, usos e preservação do patrimônio histórico

Publicado por Esquina: Conversas sobre cidades em Segunda, 10 de setembro de 2018

Henry Russell (Heritage Alliance Spatial Planning Advocacy Group do Reino Unido) e Michael Ball (School of Real Estate & Planing de Henley, também do Reino Unido) conversaram com o Esquina sobre como financiar, dar usos e  cuidar de heranças históricas 

 

Uma das alternativas mais inspiradoras para a realidade brasileira vem do Reino Unido: o uso de parte do dinheiro da loteria para bancar os custos de preservação histórica da região. Henry Russel, do Heritage Alliance Spatial Planning Advocacy Group, detalhou como o Heritage Lottery Fund foi importante para encontrar um equilíbrio financeiro capaz de arcar com os 377 mil edifícios históricos britânicos, além de quase 20 mil monumentos, 1.652 parques e 46 campos de batalha preservados.

De cada 2 libras gastas no bilhete de apostas, 28% vão para financiar “boas causas”, entre elas, a preservação, que fica com 20% do total arrecadado para boas causas. O valor varia conforme o volume de apostas, mas fica em torno de 300 milhões de libras por ano (ou 1,6 bilhão de reais). O Heritage Lottery Fund foi criado em 1994 e desde então já arrecadou quase 8 bilhões de libras para projetos de tamanhos variados.

Outra fonte importante de recursos é o Historic England, órgão criado em 2015 e subordinado ao Ministério da Cultura, Mídia e Esportes. Seu orçamento anual é de cerca de 90 milhões de libras, o equivalente a 500 milhões de reais. E mesmo assim a preservação do patrimônio britânico depende também de doações privadas, feitas por empresas e instituições filantrópicas.

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Além de dinheiro, é preciso ter gestão. Por isso o Heritage Alliance atua como uma rede conectando mais de 120 entidades, dando consultoria a governos locais e nacional e buscando apoiadores, leis e políticas públicas mais eficientes.

As inscrições para o seminário, que termina hoje, estão encerradas, mas é possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo site do CAU e pelas redes sociais do Esquina, com flashes do evento no Stories e entrevistas ao vivo no Facebook com os diversos especialistas estrangeiros.

A iniciativa do seminário é do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil conjuntamente com o CAU/SP e o programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismos da FAU-Mackenzie, com apoio da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do MEC). O evento acontece na Universidade Presbiteriana Mackenzie e tem coordenação da arquiteta e urbanista Nadia Somekh, do Programa de Pós Graduação.

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