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Tecnologia 31.08.2018 — 7:34 am

Trânsito, preços e ‘cultura branca’ levam startups a saírem do Silício

Hardik Pandya / Unsplash
San Francisco, que vem perdendo a preferência das startups
Mariana Barros é cofundadora do Esquina

Conforme os congestionamentos pioram e os preços não param de subir, San Francisco vai perdendo o posto de queridinha das empresas de tecnologia. O Vale do Silício, que desde os anos 2000 tornou-se sinônimo de empreendedorismo e corporações milionárias, está deixando de ser o destino número um das startups. Ao mesmo tempo, Miami começa a despontar como hub tecnológico e imã de cabeças jovens e inovadoras.

Lembrada pelo art déco e pelas praias, ela se tornou uma das 20 finalistas da peneira realizada pela gigante Amazon para escolher sua nova sede, levando consigo 50 mil funcionários muito bem pagos e 5 bilhões de dólares em investimentos. No ano passado, Miami recebeu 1,3 bilhão de dólares de fundos de investimentos ligados a empresas de tecnologia. Já o Vale do Silício deixou de agregar metade dos investimentos do setor, como vinha fazendo historicamente, para ficar com apenas dois terços. A dependência de carros e ônibus para garantir o transporte de funcionários ao longo do vale, levando a horas perdidas diariamente em engarrafamentos, e o altíssimo custo de vida têm feito os empreendedores pensarem duas vezes antes de se instalarem na região. E há outros fatores.

Segundo a revista Economist, que traz o declínio do Silício em sua reportagem de capa desta semana, um ponto importante é a segregação existente no Vale do Silício, ambiente onde predominam homens brancos.”O Vale faz muitas coisas notavelmente bem, mas chega perigosamente perto de ser uma monocultura de nerds brancos. Empresas fundadas por mulheres receberam apenas 2% do financiamento concedido por capitalistas de risco no ano passado”, diz a reportagem.

E é aí que reside a chance de Miami criar uma nova história. Trabian Shorters, um dos principais empreendedores negros americanos, já se manifestou sobre o assunto: “Para que Miami seja bem-sucedida em tecnologia, ela não pode imitar a abordagem apenas dos brancos como o Vale do Silício fez desde os anos 1980, excluindo as mulheres, os latinos e os afro-americanos que compõem a equipe completa de gênios dos Estados Unidos”, escreveu ele.

A Kauffman Foundation, um grupo sem fins lucrativos que monitora o empreendedorismo, passou a classificar a área de Miami-Fort Lauderdale como a principal concentração de atividades de startups dos Estados Unidos. Algumas empresas também buscam Los Angeles, que tem uma cena tecnológica vibrante. Phoenix e Pittsburgh se tornaram centros de veículos autônomos, enquanto startups de mídia preferem Nova York. As fintechs têm ido a Londres e Shenzhen virou pólo de hardware. A mudança é sinal de que entramos em uma era em que a inovação é mais distribuída e de que outros perfis de empreendedores começam a ganhar espaço e importância no cenário mundial.

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