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Mobilidade 27.08.2018 — 6:01 am

Por que a bicicleta importa para as cidades?

Andrew Gook / Unsplash
Identificação de faixa de bicicleta em pista
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Cidades saturadas, engarrafamentos constantes, poluição atmosférica, acidentes de trânsito aumento do estresse, queda da qualidade de vida e a bicicleta retorna como elemento renovador, uma esperança na re-humanização das cidades. A bicicleta já ocupou vários degraus na pirâmide social. No início era uma diversão para os nobres, em seguida se tornou o principal veículo das classes operárias, sendo compreendida de diferentes formas ao redor do mundo durante o Século XX.

Atualmente a bicicleta tem um importante papel dentre as soluções para os problemas urbanos. Como meio de transporte ela é um conceito difícil de ser in troduzido mas que aos poucos vai ganhando força ao redor do mundo.

A Europa é líder no uso da bicicleta como meio de transporte. Em Amsterdã e Copenhagem um terço das viagens urbanas são feitas em bicicletas. Diversas cidades européias tem implementado medidas que facilitam e promovem o seu uso no dia a dia: ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas, serviços de apoio, estacionamento e integração com transporte público.

A bicicleta já faz parte do turismo.

Em localidades européias como Berlim, Lion e outras, o aluguel conta com modernos sistemas.

O uso da bicicleta como alimentador do transporte público é muito importante. Acesso fácil, estacionamentos e serviços nas estações contribuem muito para o sucesso deste tipo de viagem multimodal. Aproximadamente 3 milhões de bicicletas estacionam diariamente nas estações de trens japonesas e desde os anos 70 essas infra-estruturas vêm sendo implantadas e modernizadas. Em algumas estações mais de 50% dos passageiros chegam pedalando.

A China(8) historicamente é a potência das bicicletas com um terço da frota mundial, aproximadamente 650 milhões de bicicletas.

Pedalando rumo ao futuro.

Políticas e programas que envolvem a bicicleta variam enormemente ao redor do mundo e existe bastante espaço para a expansão de seu uso. Preocupação com meio ambiente e altos preços do petróleo podem encorajar as pessoas a pedalar. A bicicleta tem se mostrado um elemento importante na humanização do planejamento das cidades.

Para que sejam aceitas como um meio eficiente de transporte é preciso criar uma atmosfera apropriada. Hoje o mundo conta com aproximadamente 2 bilhões de bicicletas e estima-se que um terço delas esteja em uso. A produção mundial em unidades é 2,5 vezes maior que a de carros(8). No caso brasileiro a frota nacional é 3 vezes maior. Somos o terceiro maior fabricante de bicicletas do mundo (5 milhões ao ano) e o quinto maior consumidor (5 milhões ao ano), o que nos torna auto-suficientes também em bicicletas. Com maior investimento em infraestrutura cicloviária este mercado será ainda maior.

As Bicicletas proporcionam transporte econômico de infraestrutura de baixo custo e menos invasiva que a dos carros. Como todos sabemos, não contribui para poluição atmosférica e sonora, diminui o trânsito, ocupa pouco espaço para trafegar e estacionar. Além de melhorar a saúde do cidadão. Tudo isso sem necessidade de abastecer.

O planejamento para bicicletas hoje é um diferencial nas cidades que buscam qualidade de vida. Trata-se do veiculo ideal para viagens curtas. O aumento de seu uso é uma mudança cultural que está em curso. Uma produção global estável e o crescimento do número de cidades objetivando a mobilidade por bicicleta, demonstram que apesar das adversidades este veículo tão antigo está resistindo e aos poucos vai se mostrando como um econômico, saudável e ecológico meio de transporte urbano.

Ocupação do espaço
Saude do cidadão
Saude da cidade
Poluição do ar e sonora
Fluidez do trânsito
Economia
Democracia


F. José Lobo
é fundador e presidente da Associação Transporte Ativo  e membro do Grupo de Planejamento Cicloviário da Cidade do Rio de Janeiro

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