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Mobilidade

Candidatos enfrentam desafio da integração intermunicipal

Daniel Teixeira / Estadão
Movimento intenso na plataforma de embarque da linha 3 Vermelha sentido Corinthians-Itaquera na estação da Sé.
Mariana Barros é cofundadora do Esquina / mariana@esquina.net.br
Publicado em 19.08.2018, às 6:00 pm

De todas as dificuldades que o estado tem para enfrentar, a integração entre municípios seja talvez uma das mais estratégicas e complexas para impulsionar o desenvolvimento regional, o que coloca a mobilidade como um ponto importante para ser tratado pelos programas de governo.

Os candidatos que divulgaram propostas sobre o tema aqui analisadas a convite do Estadão se mostram preocupados em facilitar o deslocamento entre cidades, considerando que boa parte dos paulistas mora em uma cidade, mas estuda ou trabalha em outra, cruzando diariamente limite municipais que na prática fazem pouco sentido.

Um levantamento do IBGE usando dados do Censo de 2010 mostra que, naquela época, a população brasileira já não se organizava em cidades, mas em “arranjos populacionais” com grande número de pessoas se deslocando dentro destas áreas. Todos os dias, 7 milhões de brasileiros vão de uma cidade a outra para estudar ou trabalhar. O estado de São Paulo concentra cinco dos maiores agrupamentos do país, sendo o maior deles é formado por São Paulo e outros 35 municípios, que somam 20 milhões de habitantes.

Nesse contexto, é importante debater a possibilidade de unificar tarifas e de criar um Bilhete Único padronizado para atender a todo o estado ou, pelo menos, aos municípios agrupados. O transporte por aplicativo, que hoje emprega um contingente significativo de pessoas e tem se expandido pelo interior, também merece atenção. Seria possível permitir pagamentos por essa modalidade usando Bilhete Único em todo o estado? Seria possível padronizar bolsões de embarque e desembarque para usuários de aplicativos nas estações de trem e metrô?

O transporte sobre trilhos tem na adoção do modelo de PPP uma saída para acelerar o andamento das obras e garantir a operação. A Zona Leste, região mais populosa da cidade, segue dependente da abarrotada Linha Vermelha do Metrô, enquanto o eixo empresarial e financeiro formado por Berrini, Vila Olímpia, Itaim e Faria Lima continua sem metrô na porta, o que torna o trânsito cada vez mais engessado. Sem falar na problemática Linha Laranja e na demora para conectar a Linha Lilás.

Ciclistas e pedestres também precisam ser contemplados, a partir de redes cicloviárias intermunicipais, estações de compartilhamento de bicicletas que atendam a mais localidades e a instalação de bicicletários em terminais e estações. Cabe aqui o debate sobre as passarelas para pedestres sobre estradas, um convite à prática de assaltos e travessias perigosas que motivam atropelamentos.
A conexão com os aeroportos é assunto delicado, especialmente depois da decepção com a estação Cumbica Guarulhos, que depende do ônibus para levar os passageiros para o embarque. A Linha 17 Ouro, que atenderá a Congonhas, precisa correr contra o tempo para se integrar ao restante do sistema. Facilitar o acesso aos aeroportos da capital e do interior via redes de transporte torna-se cada vez mais essencial neste momento em que as distâncias precisam ser relativas.


Mariana Barros
é cofundadora do Esquina.net.br

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