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Infraestrutura 14.08.2018 — 12:46 pm

Tragédia em ponte mostra que governos não fazem lição de casa

Martina Morini/ Twitter/ Reprodução
Trecho da ponte Morandi, que desabou em Gênova, na Itália
Mariana Barros é cofundadora do Esquina

A tragédia ocorrida hoje pela manhã, quando o trecho da ponte Morandi desabou em Gênova, na Itália, mostra a dificuldade dos governos em fazerem sua lição de casa. Mais do que construir novas instalações, é preciso centrar forças na manutenção do que já existe, o que dificilmente é uma prioridade administrativa.

A polícia italiana informou que a ponte havia sido danificada por uma inundação. Segundo relatos, ela também foi também atingida por um raio. Caso a perícia confirme esses fatos e estabeleça uma ligação entre eles e o desabamento, os governos local e nacional terão de dar muitas explicações sobre por que não fizeram os reparos necessários.

 

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Claro que não vai ser a primeira vez que isso acontece. Em Brasília, parte de um viaduto no Eixão Sul ruiu em fevereiro. Para os especialistas do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB, o problema foi, de novo, falta de manutenção.

Hoje já existem diversas formas de fazer trabalho preventivo em grandes estruturas sem colocar ninguém em risco. Um relatório da consultoria Accenture mostra que os drones equipados com sensores e câmeras usados para a manutenção conseguem baixar custos, reduzir a exposição de trabalhadores e ainda permitem decisões mais precisas. As máquinas fazem cálculos volumétricos e de densidade, controlam o desempenho de instalações elétricas, mapeiam grandes áreas em imagens tridimensionais e podem até medir a emissão de poluentes.

Reprodução

Corrida sobre o viaduto de Millau, na França, um dos mais altos e bem cuidados do mundo

 

Na França, os drones são responsáveis por um dos viadutos mais bem conservados do mundo e que também é um dos mais altos, o Millau. A estrutura estaiada projetada pelo renomado arquiteto inglês Norman Foster fica a 343 metros do solo e segue em perfeito estado desde 2001 sem que os trabalhadores ou os cidadãos que passam por ali sejam submetido a riscos.

Criar rotinas e procedimentos para manutenção preventiva é algo cada vez mais fácil, rápido e acessível. Falta os governos entenderem que também são extremamente necessários.

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