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Espaços Públicos 27.04.2018 — 6:27 am

Informar para criar cidades mais humanas e caminháveis

Primeira versão do mapa Bixiga a Pé desenvolvido pelo SampaPé!. Foto: Bixiga a Pé
Leticia Sabino é idealizadora e presidente da ONG SampaPé!, secretária executiva da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP e co-fundadora da Cidadeapé (Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo)

A relação entre uma boa calçada e caminhabilidade é bastante óbvia, se há infraestrutura adequada, o espaço é mais acessível garantindo caminhadas e deslocamentos mais seguros e confortáveis. Porém, é preciso muito mais do que boa infraestrutura de calçadas para transformar as cidades para as pessoas. Caminhar é muito mais do que um transporte, nas palavras de Gehl (2012) “Basicamente, o andar é um movimento linear que leva o caminhante de um local ao outro, mas é, também, muito mais que isso.”

Ao caminhar todos os nossos sentidos são ativados e nossas vulnerabilidades também, por isso necessitamos e faz grande diferença para a experiência outros elementos menos técnicos e mais afetivos e sensoriais, como sombra das árvores, barulho dos passarinhos e também saber a história sobre um local e sua proximidade entre outros pontos de interesse e de transporte.

Sinalização indicativa cidadã em frente ao Red Bull Station no centro de São Paulo. Crédito: enviada ao concurso miss calçada 2017 do SampaPé!

Pensando nisso, o SampaPé!, ONG que tem como objetivo melhorar a experiência de caminhar nas cidades, decidiu fazer um mapa para percorrer o Bixiga a Pé, exaltando suas histórias, arquiteturas e ruas. Gerando não só mais interesse das pessoas pelo entorno mas também garantindo que as pessoas tenham mais autonomia do espaço ao se deslocar a pé.

Para o projeto acontecer todas as pessoas que acreditam na importância de mapeamentos e informação para as cidades devem apoiar a campanha de financiamento coletivo clicando aqui. O projeto ao atingir a primeira meta vai garantir a impressão de 10.000 mapas para distribuição gratuita e se conseguir extrapolar a meta vai implementar sinalização informativa e indicativa no bairro.

Caminhabilidade e preservação das memórias andam juntas

Outra função importante de difundir e deixar mais acessível informações e histórias de pontos e bairros da cidade é para a preservação. Quando mais gente conhece a história entende a importância dos lugares e das memórias, garantindo sua preservação. Isso melhora a auto-estima da comunidade local e garante a valorização dos bairros.

Na Inglaterra, por exemplo, o documento que define as regras sobre patrimônio considera o empoderamento local como um elemento chave para a preservação da cidade. Este mesmo documento diz que a forma de empoderar a comunidade é através de acesso, difusão de informação e valorização de histórias locais, uma vez que o patrimônio não se refere apenas aos edifícios (materiais) mas também as histórias e tradições (imateriais), que se complementam.

Logo, a preservação é o que garante a autenticidade de um local que se reflete na sua história contada no espaço, o que vai por fim influenciar muito e positivamente na experiência do caminhar.

Sinalização para quem caminha

Sinalização e comunicações para quem caminha ainda são muito pouco exploradas no Brasil e vemos iniciativas pontuais estritamente relacionadas ao turismo e seguindo modelos europeus.

 

Placa de sinalização turística no centro de São Paulo implementada pela SPturis em 2014 por exigência da Copa. Crédito: Revista Hotéis Online

 

Neste sentido, o projeto Bixiga a Pé tem também como objetivo começar a discutir e fazer o que seria o jeito brasileiro e latinoamericano de sinalizar e criar formas que a cidade se comunica com os caminhantes.

Para fazer o projeto acontecer os apoios podem ser feitos a partir de R$30,00 na página da campanha.

E você, como gostaria que a cidade falasse com você?

Leticia Sabino é caminhante. Mestra em Urbanismo pela UCL, Londres (MSc Urban Design and City Planning), formada em Administração de Empresas (FGV-EAESP) e pós-graduada em Economia Criativa e Cidades Criativas (FGV). Idealizadora e presidente do SampaPé!, ONG que tem como objetivo melhorar a experiência do caminhar nas cidades. Secretária executiva da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP e co-fundadora da Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.

 

 

Referências:

GEHL, Jan. Cidades para as Pessoas. São Paulo, Perspectiva, 2013.

Plano de Proteção do Patrimônio Nacional. Patrimônio Inglês, 2012. Acessado em 12/04/2018. Disponível em: https://content.historicengland.org.uk/images-books/publications/nhpp-plan-framework/nhpp-plan-framework.pdf/ .

Projeto Bixiga a Pé. Partio. Disponível em: https://partio.com.br/projeto/bixiga-a-pe .

Revista Hotéis. SPTuris instala placas e sinalização turística para pedestres. 2014. Acessado em: 14/04/2018. Disponível em:   http://www.revistahoteis.com.br/spturis-instala-placas-de-sinalizacao-turistica-para-pedestres/

 

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